sexta-feira, 2 de setembro de 2011

INGRESSOS GRATUITOS NO CENTRO DE CULTURA

OLÁ PESSOAL PARA VC QUE ESTAR LIGADO NO BLOG DO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO NÃO DEIXEM DE PARTICIPAR... SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR NO BLOG DA CULTURA NA POSTAGEM DO ESPETÁCULO E GANHE 2 INGRESSOS.

        NÃO PERCAM HOJE  "BAIANIDADE BAIANA" 


"Baianidade Baiana" surge da necessidade de amplificação deste ideal em tornar as palavras inquietude e nossa cultura firmamento absoluto desta ampla diversidade baiana e brasileira. Aos poucos fomos percebendo que o espetáculo era a resposta que podíamos dar às piadas que aprendemos a ouvir sobre nossa baianidade e sobretudo ao nordestino. O nativismo de nosso povo impulsionou a linha narrativa do espetáculo. O nordestino conhece, valoriza e consome sua cultura e através de personagens comuns, fomos tecendo o enredo de "Baianidade Baiana", que tem a proposta de ser conduzido por dois personagens tipicamente baianos e através deles, contar brincando a nossa saga e colaborar para a mudança de percepção de quem acredita que baiano só é homem até meio dia... KKKKK...

ENTÃO PESSOAL NÃO PERCAM " BAIANIDADE BAIANA" DIAS 2 , 3 E 4 DE SETEMBRO, NO CENTRO DE CULTURA JOÃO GILBERTO A PARTIR DAS 20H .   


Espetáculo da Cia. Baiana de Risos 

INGRESSOS GRATUITOS NO CENTRO DE CULTURA

OLÁ PESSOAL PARA VC QUE ESTAR LIGADO NO BLOG DO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO NÃO DEIXEM DE PARTICIPAR... SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR NO BLOG DA CULTURA NA POSTAGEM DO ESPETÁCULO E GANHE 2 INGRESSOS.

        NÃO PERCAM HOJE  "BAIANIDADE BAIANA" 

Espetáculo da Cia. Baiana de Risos que fala sobre a cultura Baiana. 

"Baianidade Baiana" surge da necessidade de amplificação deste ideal em tornar as palavras inquietude e nossa cultura firmamento absoluto desta ampla diversidade baiana e brasileira. Aos poucos fomos percebendo que o espetáculo era a resposta que podíamos dar às piadas que aprendemos a ouvir sobre nossa baianidade e sobretudo ao nordestino. O nativismo de nosso povo impulsionou a linha narrativa do espetáculo. O nordestino conhece, valoriza e consome sua cultura e através de personagens comuns, fomos tecendo o enredo de "Baianidade Baiana", que tem a proposta de ser conduzido por dois personagens tipicamente baianos e através deles, contar brincando a nossa saga e colaborar para a mudança de percepção de quem acredita que baiano só é homem até meio dia... KKKKK...

ENTÃO PESSOAL NÃO PERCAM " BAIANIDADE BAIANA" DIAS 2 , 3 E 4 DE SETEMBRO, NO CENTRO DE CULTURA JOÃO GILBERTO A PARTIR DAS 20H . 

BIBLIOTECA MUNICIPAL DA CÂMARA DE VEREADORES DE JUAZEIRO


As estantes da Biblioteca Pública professor Olavo Balbino, da Câmara de Vereadores de Juazeiro, tem muitas histórias para contar. Parte integrante do Poder Legislativo Municipal, a biblioteca, construída em 2004 na gestão da ex-vereadora Flor de Maria, está aberta à comunidade de segunda a quinta-feira, das 8 às 17h, e de 8 às 12h,nas sextas-feiras e conta com um acervo de aproximadamente três mil títulos. 
No inicio do ano, o espaço passou por uma pequena reforma e foi reaberto no mês de abril totalmente equipado para atender à população.A biblioteca tem disponível para a consulta dos estudantes: livros didáticos, especializados, infantis e periódicos, além dos espaços de leitura, com salas individuais de estudo, espaço para literatura infantil e computadores.
No complexo da biblioteca existe o Memorial do Legislativo Municipal. No Memorial ainda constam os primeiros registros da Câmara, como posturas e livros Atas, que foram preservados, em prefeito estado de conservação, até os dias atuais, além da exposição de objetos que pertenceram aos ex-vereadores e que estão intimamente ligados à trajetória da Câmara na cidade. O Memorial Legislativo traz a relação dos vereadores que passaram pela Câmara e agaleria dos ex-presidentes.
A biblioteca e o memorial ficam localizados na Av. Benedito Almeida Moraes, S/N, Malhada da Areia, em frente à sede da Câmara de Vereadores.
Informações e Fotos: Ascom/CMJ

Movimento Escalada adia o Bingo Show


O Movimento Escalada, grupo de jovens da igreja, informa que o BINGO SHOW que seria realizado no dia 3 de setembro foi adiado para o dia 18, do mesmo mês, às 16 horas na Nossa Casa em Juazeiro. No BINGO SHOW serão sorteados os seguintes prêmios: 1 moto Sundown Max 125cc, 1 DVD, 1 Batedeira e um 1 celular, além de curtir atrações como: Sérgio do forró, Joana Endira - voz e violão e as bandas Desideratu e Begnight. Ainda há tempo de curtir essa festa e concorrer aos prêmios. Garanta já a sua cartela no Bahia Cook ou na bilheteria da Nossa Casa.

‘Cinema no Vale’

O projeto ‘Cinema no Vale’ apresentará, no mês de setembro, a mostra de filmes com o tema “Do amor e outras formas”, onde serão exibidas produções que tratam sobre diferentes experiências sobre a vida afetiva.  As sessões são gratuitas e acontecerão aos sábados, a partir das 17h, no auditório da biblioteca do Campus Petrolina Sede da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Neste sábado (3), será exibido o documentário brasileiro “Dzi Croquettes” (2009), dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez, que conta a história do grupo teatral homônimo; no dia 10, a comédia canadense “C.R.A.Z.Y – Loucos de Amor” (, 2005), dirigida por Jean Marc-Vallée. No dia 17, será exibido o drama francês “Lado Selvagem” (2004), dirigido por Sébastien Lifshitz. Encerrando a programação, será exibido no último sábado do mês (24) o drama brasileiro “Como Esquecer” (2010), dirigido por Malu Di Martino.

Coordenado pelos professores Afonso Henrique Menezes, do Colegiado de Psicologia, e Janedalva Gondim, do Colegiado de Artes Visuais, o projeto Cinema no Vale tem como finalidade a exibição gratuita de filmes clássicos, raros ou fora do circuito comercial a um público diversificado, visando tanto o entretenimento quanto a reflexão e discussão sobre os títulos apresentados.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FACAPE está com inscrições abertas para seis novos cursos de Pós-Graduação


A Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina- FACAPE está com inscrições abertas para seis novos cursos de Pós-Graduação Lato Sensu. São eles: Gestão de Serviço de Saúde; Gestão de Recursos Humanos nas Organizações; Gestão de Tecnologia da Informação; Gestão de Cidades; Engenharia de Software; Tecnologia da Comunicação e Informação na Educação. Os cursos oferecidos pela Coordenação de Pós-Graduação da FACAPE estão estruturados de forma a atender à Resolução CNE/CES nº 1, de 8 de junho de 2007 com a Autorização do Conselho Estadual de Educação - CEE.
As inscrições estão sendo realizadas a partir desta segunda-feira, 29/08, na Coordenação de Pós-Graduação, localizada no campus da FACAPE, de 8h30 às 12h e das 15h30 às 20h. Os interessados devem apresentar: Currículo atualizado; Fotocópia autenticada de diploma e/ou certificado de conclusão do curso superior, com respectivo histórico escolar; Fotocópia autenticada da carteira de identidade e CPF; Duas fotografias tamanho 3x4. A taxa de inscrição é de R$ 50,00 (Cinquenta Reais). Mais informações através do e-mail posgraduacao@facape.br ou pelo telefone (87) 3866-3275. Para saber mais sobre os cursos oferecidos (Público-Alvo, Objetivos, Valores e Cronograma contendo Período de Inscrições/Matrículas, Disciplinas e Carga-Horária) clique aqui.
Louise Farias Ascom Facape

II Conferência Municipal de Cultura de Casa Nova- Ba.


Foto: Aldo Berdardes 

Construir um processo de sensibilização, mobilização e articulação com autoridades, agentes públicos, indivíduos e grupos, visando desenvolver uma percepção da cultura como elemento de afirmação e cidadania, inclusão social e fator de desenvolvimento econômico, este foi o objetivo da 2ª Conferência Municipal de Cultura, que aconteceu no último final de semana em Casa Nova, promovida pela prefeitura municipál, através da Secretaria de Cultura Turismo e Esporte. Com o tema “Planejar é preciso: diretrizes para consolidação dos Sistemas de Cultura”, o 
evento promoveu o encontro entre cidadãos e os representantes do Governo Municipal para que pudessem construir propostas de políticas públicas de cultura.
Esta Conferência teve como base as propostas extraídas na I Conferência Municipal de Cultura em 2009, agora com encaminhamento das propostas priorizadas pela Plenária em forma de Projetos. De acordo com o coordenador de cultura, Luciano Correia, a Conferência é o clímax do processo democrático de consultas, construção de conteúdos e deliberação das diretrizes que nortearão a política cultural da cidade e contribui para a formatação da política cultural no plano nacional.
“A cultura ganha relevo como eixo estratégico do desenvolvimento humano, econômico e social e neste momento o poder público, a sociedade, artistas e produtores são chamados à construção conjunta de políticas estratégicas neste campo do conhecimento e ação”, esclarece. “O debate pelos protagonistas da cultura casanovense sobre os eixos de discussão que integram o temário promove a valorização da diversidade das expressões e o pluralismo das opiniões, na perspectiva de contribuirmos para a Conferência Estadual de Cultura, que se realizará em Salvador”, disse o secretário municipal de Cultura, Itamar Rocha. Após as discussões em grupos divididos nos eixos propostos, foram eleitos os delegados que representarão o município na Conferência Estadual.


Lidiane Cavalcante Ascom PMCN

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Manifestos pelo Espaço Cultural do Sertão – Tropeirismo na Bahia reunirá música, cinema, conferência e exposição fotográfica.



A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia prestará uma homenagem à cultura sertaneja no próximo dia 31 de agosto, quarta-feira, às 17h, no Palácio Rio Branco, Praça Municipal, no encontro “Manifestos pelo Espaço Cultural do Sertão – Tropeirismo na Bahia”. O evento, promovido pela Fundação Pedro Calmon e o Centro de Cultura Populares e Identitárias, colocará em debate a importância cultural dos tropeiros e a sua participação na circulação de mercadores, riquezas conhecimentos e tradições culturais.
Integra a programação gratuita a abertura de uma exposição sobre os Encourados de Pedrão, exibição de vídeos, conferências com historiadores e especialistas, e show do maestro, compositor e instrumentista, João Omar, filho de Elomar, um dos mais importantes músicos brasileiros.
Para abordar a importância das tradições culturais do sertão da Bahia, uma mesa reunirá o historiador Ubiratan Castro de Araújo, diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, o antropólogo Washington Queiroz, pesquisador e defensor da cultura do Sertão Bahia, e a cantora, compositora e historiadora Jurema Paes, Doutora em História das Culturas, pela PUC-SP. A artista é pesquisadora do tema do tropeirismo e defendeu, em 2001, a dissertação de mestrado em História Social pela Universidade Federal da Bahia intitulada: “As tropas e tropeiros no alto sertão baiano, século XIX”.
A atração cultural convidada será o maestro, compositor, arranjador e instrumentista, João Omar, natural de Vitória da Conquista. Contemplado pelo Prêmio Sharp 1998, como melhor arranjador na categoria regional, João Omar desenvolve um estilo que busca a afirmação da cultura brasileira e da identidade sertaneja, mesclando o regional e o erudito, inspirado em elementos da cultura popular.
Filme – Durante o evento, será exibido o documentário “O Sertão que o coração vê (2010)” realizado por Miguel Telles e o historiadorManoel Neto. São 20 minutos que narram à história de João Boró, digno representante da tradição dos vaqueiros. Profissional afamado, reconhecido como excelente laçador, João Boró, teve que abandonar a lida com o gado ainda cedo. Os graves acidentes de trabalho ocorridos em épocas distintas em pegas de boi retiraram lhe a visão por completo.
O público também poderá conferir a exposição “Encourados de Pedrão”, com fotografias e objetos tridimensionais, pertencentes ao acervo do fotógrafo e cineasta Miguel Telles. Nesta exposição, o artista retrata a história dos vaqueiros do município de Pedrão, localizado no Litoral Norte do Estado, além de destacar a importância do local no processo de independência do Brasil na Bahia. Um grupo de vaqueiros do município de Pedrão já confirmou presença ao Manifestos pelo Espaço Cultural do Sertão – Tropeirismo na Bahia, com seus trajes típicos e seus cavalos.

JUAZEIRO- Concurso público na área de Educação na cidade.


Na manhã desta terça-feira (30), o prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho, o secretário de Educação do município, Plínio Amorim e o representante da AOCP Concursos Públicos do Paraná, Leandro Lisboa assinaram contrato para a realização de um concurso público na área de Educação na cidade.
Serão disponibilizadas 392 vagas para professores com nível superior nas áreas de Português, Matemática, Tecnologia, Biologia, História, Geografia e Educação Física. Além disso, serão oferecidas vagas para nível médio na função de Secretário Escolar. A novidade é a oferta de vagas para professor Brailista, professor Intérprete da Língua Brasileira de Sinais e professor Instrutor da Língua Brasileira de Sinais. Para Plínio Amorim, essa iniciativa demonstra que a educação inclusiva deve ser garantida “A constituição determina que a educação é um direito de todos, da pessoa humana, sem fazer distinção de condição nenhuma, de fator algum”, destacou.
O edital do concurso deve ser lançado na segunda quinzena de Setembro e a realização das provas está prevista para o mês de Novembro. Isaac Carvalho garantiu que a iniciativa deve se estender para outras áreas do município, como a saúde, e ressaltou que em breve fará novos anúncios de realização de concursos públicos.

A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA DE GÊNERO E A LEI “ANTIBAIXARIA” NA BAHIA

Cecilia M. B. Sardenberg
OBSERVE- Observatório de Monitoramento da Lei Maria da Penha
NEIM/UFBA

A polêmica atual instaurada em torno da constitucionalidade do Projeto de Lei no. 19.137/2011 (apelidada de lei “Antibaixaria”) da Deputada Estadual Luiza Maia da Bahia, que dispõe sobre a não contratação, com verbas públicas, de artistas que degradem a imagem das mulheres, me faz voltar pouco mais de vinte anos no tempo, mais precisamente aos fins dos anos 1980, quando da elaboração da Constituição do Estado da Bahia.  Naquela época, nós, feministas atuantes no Fórum de Mulheres de Salvador, nos reunimos várias vezes para discutir a inclusão de um capítulo específico sobre os direitos das mulheres na nova carta magnabaiana. 

Inspiradas pelos avanços conquistados por nós na Constituição Federal de 1988 com a mobilização de mulheres, em todo país, e, em especial, pelo chamado “Lobby do Batom” – o lobby exercido diretamente junto aos deputados e deputadas constituintes -- ousamos ir além formulando uma proposta ainda mais progressista para a Bahia.  Dentre outras questões de interesse das mulheres, incluímos nessa proposta disposições sobre a prevenção da violência contra as mulheres e a obrigatoriedade de criação de delegacias especiais de atendimento às vítimas em cidades com mais de 50.000 habitantes, a proibição da exigência por parte de empregadores de comprovantes de esterilização das trabalhadoras, a criação de comissões especiais para monitorar as pesquisas no campo da reprodução humana, e – de interesse especial para o momento -- o impedimento da veiculação de mensagens que aviltassem a imagem das mulheres. 

Nossa ousadia se revelava, tanto no teor dessas propostas, quanto no fato de que, para defendê-las na Constituinte Estadual, contávamos apenas com a Deputada Amabília Almeida, a única mulher então exercendo mandato naquela casa.  Mas, nesse ponto, não havia o que temer. Com muita diplomacia, a nossa querida Amabília, companheira de muitas batalhas, conquistou mais aquela, logrando transformar nossas propostas em princípios e leis sagradas na Constituição Estadual de 1989. Foi assim que a Bahia passou a ter uma das constituições mais avançadas do país no tocante aos direitos das mulheres. 

Frente à citada polêmica em torno do Projeto de Lei da Deputada Luíza Maia, destaco aqui, em especial, o Art. 282 da Constituição Estadual, particularmente o inciso I, em que se afirma que o  Estado da Bahia “garantirá, perante a sociedade, a imagem social da mulher como mãe, trabalhadora e cidadã em igualdade de condições com o homem, objetivando”, entre outras questões, “impedir a veiculação de mensagens que atentem contra a dignidade da mulher, reforçando a discriminação sexual ou racial.”  Nesse artigo reside, sem sombra de dúvida, a constitucionalidade do Projeto de Lei “antibaixaria”.  Aliás, ele vem com mais de vinte anos de atraso para regulamentar o que reza nossa Constituição desde 1989, como de resto ainda acontece com a maior parte de nossas conquistas nessa carta, que ainda aguarda regulamentação.

Em relação ao Art. 282, posso testemunhar que, já na década de 1980, ao propormos sua inclusão na Constituição da Bahia, tínhamos em mente, não apenas o combate à constante veiculação de anúncios em jornais, outdoors e na mídia televisiva, que em muito desmerecem, objetificam e assaltam moralmente a nós, mulheres, como também à cantigas que exemplificam, em suas letras, o que se classifica como violência simbólica de gênero – tal qual em “...nega do cabelo duro... pega ela aí, pega ela aí prá passar batom ... na boca e na bochecha”, música sexista e racista, popular na época!                             

Na verdade, uma de nossas maiores preocupações era (e ainda é) o enfrentamento à violência de gênero contra as mulheres, particularmente a violência simbólica de gênero, que se infiltra por todo a nossa cultura, legitimando os outros tipos de violência. Por “violência de gênero”, refiro-me a toda e qualquer forma de agressão ou constrangimento físico, moral, psicológico, emocional, institucional, cultural ou patrimonial, que tenha por base a organização social dos sexos e que seja impetrada contra determinados indivíduos, explícita ou implicitamente, devido à sua condição de sexo ou orientação sexual. Isso implica dizer que tanto homens quanto mulheres, independente de sua preferência sexual, podem ser alvos da violência de gênero. Contudo, em virtude da ordem de gênero patriarcal, ‘machista’, dominante em nossa sociedade, são, porém, as mulheres e, em menor número, os homossexuais, que se vêem mais comumente na situação de objetos/vítimas desse tipo de violência.

Quando falamos de violência de gênero contra mulheres, pensamos mais de imediato em atos de violência física – agressões, espancamentos, estupros, assassinatos -- perpetrados, geralmente, por seus companheiros, e que acabam estampados em manchetes nas páginas policiais jornalísticas. Essa é, sem dúvida, a mais chocante e revoltante forma de violência de gênero, posto que atenta diretamente contra a vida de uma pessoa, não sendo raros os casos em que ela passa impune.

A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, mais conhecida como “Lei Maria da Penha”, trouxe um grande avanço no enfrentamento à violência de gênero contra mulheres, vez que, além de criminalizar esse tipo de violência -  que passava invisível na esfera doméstica e familiar -  também reconheceu outras formas de violência, tais como a violência sexual, moral, psicológica, e patrimonial, como igualmente puníveis por lei.  Cabe lembrar, porém, que tanto as agressões físicas, quanto essas outras formas de violência e sua impunidade, são legitimadas pela ordem social de gênero que caracteriza a nossa sociedade, a ordem de gênero patriarcal, ordem inscrita e perpetrada nas nossas instituições sociais, nos nossos sistemas de crenças e valores e no nosso universo simbólico, com ressonância nas relações interpessoais e na construção das nossas identidades e subjetividades enquanto homens e mulheres.  

De fato, a violência de gênero se expressa com força nas nossas instituições sociais (falamos então de violência institucional de gênero) e, de maneira mais sutil, embora não menos constrangedora, na nossa vida cultural, nos atacando (ou mesmo nos bombardeando) por todos os lados, sem que tenhamos plena consciência disso. Diariamente, ouvimos piadinhas, canções, poemas, ou vemo-nos diante de contos, novelas, comerciais, anúncios, ou mesmo livros didáticos (ditos científicos!), de toda uma produção cultural que dissemina imagens e representações degradantes, ou que, de uma forma ou de outra, nos diminuem enquanto mulheres. Essas imagens acabam sendo interiorizadas por nós (até mesmo as feministas “de carteirinha”), muitas vezes sem que nos demos conta disso. Elas contribuem sobremaneira na construção de nossas identidades/subjetividades, diminuindo, inclusive, nossa auto-estima.

Isso tudo se constitui no que chamamos de violência simbólica de gênero, uma forma de violência que é, indubitavelmente, uma das violências de gênero mais difíceis de detectarmos, analisarmos e, por isso mesmo, combatermos.  Talvez até mesmo porque o ‘bombardeio’ é tanto, de todos os lados, que acabamos ficando anestesiadas, inertes, impassíveis, incapazes de percebê-la,  bem como o seu poder destruidor.  Na verdade, o mundo simbólico aparece como um grande quebra-cabeças a ser decifrado, difícil de abordar, vez que, como no caso das metáforas, ele se processa através de um encadeamento e superposição de símbolos e seus significados, ou de associações, transposições, oposições e deslocamentos.  Destrinchar esses processos é muitas vezes adentrar num labirinto, correndo atrás de um novelo que torce, retorce, rola, enrola e dá nós, difíceis de serem desatados.  Por isso mesmo, a violência simbólica é sutil, mascarada, disfarçada e, assim, bastante eficaz.

Certamente, não é esse o caso da “nova poesia baiana”, tal qual expressa nas letras do nosso cancioneiro popular contemporâneo. Ao contrário, não há nada de dissimulado nessas cantigas. Nelas, a imagem da mulher, de todas nós mulheres, é explicitamente aviltada, rebaixada, causando constrangimento naquelas que se prezam. Senão vejamos:

Em “Me Dá a Patinha”, por exemplo, a mulher é abertamente chamada de “cadela”, porque está supostamente disponível para todos:

O João já pegou
Manoel, pegou também
O Mateus engravidou,
tá esperando o seu nenem
Carlinhos, pegou de quatro
Marquinhos fez frango assado
José sem camisinha
Pego uma coceirinha
O nome del'é Marcela
Eu vou te dizer quem é ela
Eu disse
Ela, ela, ela é uma cadela
Ela,ela mais ela é prima de Isabela
Joga a patinha pra cima
One,Two,Three
Me dá, me dá patinha
Me dá sua cachorrinha
(sic)

Igualmente desrespeitosa em relação às mulheres é a cantiga “Ela é Dog”, que segue a mesma linha (... estilo cachorra, ela fica de quatro,  ela é dog, dog, dog, ....parede de costas), assim como “Rala a Tcheca no Chão” (rala a tcheca no chão, a tcheca no chão, a tcheca no chão, mamãe), sem esquecer de “Na Boquinha da Garrafa”, onde se afirma que ...no samba ela gosta do rala, rala, me trocou pela garrafa, não agüentou e foi ralar... vai ralando na boquinha da garrafa, sobe e desce na boquinha da garrafa,
É na boca da garrafa...

Ressalto que não se trata somente do gosto deveras questionável desses versos, mas, sobretudo, da incitação e legitimação da violência física contra mulheres que eles expressam.  Como nos versos, ...se o homem é chiclete, mulher é que nem Lata, um chuta, o outro cata...”, ou então, na já combatida “Tapinha de Amor”:

Não era preciso chorar desse jeito
Menina bonita anjo encantador
Aquele tapinha que dei no seu rosto
Não foi por maldade foi prova de amor
A nossa briguinha foi de brincadeira
...
Não seja assim tolinha eu sei que tapinha de amor não dói
(sic)

Não custa lembrar que foram mais de 30 anos de lutas dos movimentos feministas no país no combate à violência de gênero contra mulheres, uma luta que logrou trazer a elaboração e aprovação da Lei Maria da Penha em agosto de 2006. Essa lei cria mecanismos para “coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher”, assim destacando, em seus Artigos 2º e 3º:

Art. 2o  Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.
Art. 3o  Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

De acordo com a Lei Maria da Penha, uma Lei Federal, e, como vimos,  também de acordo com a Constituição da Bahia, é dever do Estado combater a violência, assegurando às mulheres o direito ao respeito e dignidade enquanto seres humanos. O Projeto de Lei apresentado pela Dep. Luiza Maia vem regulamentar a intervenção do Estado nesse tocante, dispondo sobre “a proibição do uso de recursos públicos para a contratação de artistas que, em suas músicas, danças, ou coreografias desvalorizem, incentivem à violência ou exponham as mulheres a situações de constrangimento.”

Ressalte-se que não se trata aqui de cercear o direito de “livre expressão artística” de ninguém, já devidamente consagrada na Constituição Federal. Não se trata de fazer censura.  Longe disso!  Mas é necessário que o Estado não seja conivente com mensagens que façam a apologia da violência de gênero contra mulheres, utilizando verbas públicas – o dinheiro nosso e do nosso povo – para aviltar a nossa imagem!  Fazê-lo, ou seja, contratar com dinheiro público quem assim procede é legitimar a violência de gênero contra as mulheres.  É, pois, atentar contra a nossa carta magna, cabendo, pois, de nossa parte, a impetração de ações cíveis junto ao Ministério Público.

Espera-se, outrossim, que o Projeto de Lei em questão também tenha um papel pedagógico.  Que ele venha a conscientizar mulheres e homens desta Bahia (e por que não, do nosso Brasil) da necessidade de combate à violência contra mulheres, hoje expressa, de forma tão vulgar e grosseira, no nosso cancioneiro popular.  Creio que é isso que minhas combativas companheiras do Fórum de Mulheres de Salvador, que comigo lutaram pelo avanço das nossas conquistas nos idos dos anos 1980, tinham também em mente quando sonhávamos com uma Bahia sem sexismo, sem racismo, e sem violência!



[1] Uma primeira versão deste ensaio foi apresentada como contribuição aos debates sobre o Projeto de Lei No.19.137/2011, na Comissão da Mulher da Assembléia Legislativa da Bahia, em 24/08/2011.

Profa. Dra. Cecilia M. B. Sardenberg, 
Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher - NEIM 
Universidade Federal da Bahia - UFBA 
 Salvador, Bahia, BRASIL 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


Sebrae abre seleção para patrocínio de projetos

Estão abertas as inscrições para o processo seletivo de projetos a serem patrocinados pelo Sebrae em 2012, na modalidade de concessão de patrocínio por seleção. Os interessados devem preencher e enviar o formulário on line na página de patrocínio do Sebrae na internet, até o dia 30 de agosto, observando os termos do Edital Nº. 01/2011.

Os projetos inscritos precisam ter sintonia com a missão do Sebrae, ou seja, deve contribuir para promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das micro e pequenas empresas e fomentar o empreendedorismo. É fundamental, portanto, evidenciar os benefícios do projeto para esse segmento produtivo.

Os participantes devem ser pessoas jurídicas, com ou sem finalidade lucrativa, com regularidade documental e fiscal. Um dos critérios do edital é que cada CNPJ poderá inscrever somente um projeto, realizado em território nacional entre janeiro e dezembro de 2012. A cota solicitada pode ter o valor máximo de R$ 250 mil.

A expectativa é que até 30 de novembro o Sebrae divulgue a lista de projetos que serão patrocinados no primeiro trimestre de 2012.

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